EQUILÍBRIO ESSENCIAL: 10 maneiras de estreitar laços de afeto e preparar os filhos para a vida
As 10 competências que produzem bons resultados na educação dos filhos foram relacionadas em ordem de importância. Retiradas de artigos científicos, estão classificadas de acordo com que prognosticam fortes ligações entre pais e filhos e com grau de felicidade, saúde e sucesso das crianças.
- Amor e carinho. É indispensável apoiar e aceitar os filhos, entendendo que são pessoas com idéias e gostos próprios, e respeitar essas diferenças, demonstrando afeto e usufruindo dos períodos passados juntos.
- Administração do estresse. Praticar técnicas de relaxamento e esportes e investir na própria psicoterapia favorece a capacidade de entender melhor o que sentimos e as chances de cuidar bem de crianças.
- Habilidades do relacionamento. Aqueles que mantêm uma relação saudável com o cônjuge ou com outras pessoas importantes em sua vida demonstram a importância de manter relações afetivas verdadeiras.
- Incentivo à autonomia e à independência. Apesar de ser difícil para alguns pais encontrar a medida, é fundamental tratar os filhos com respeito e estimulá-los a se tornar pessoas confiantes e com iniciativa.
- Acompanhar a aprendizagem. Ao valorizarem a curiosidade dos filhos e sua disposição para aprender, os pais lhes prestam um enorme benefício.
- Preparação para a vida. É um ato de amor conversar com os pequenos sobre temas delicados como medos, sexo e morte em linguagem acessível, bem como prepara-los para assumir responsabilidades (a mesada, por exemplo, é uma forma de ensiná-los a lidar com dinheiro).
- Atenção ao comportamento. Reforçar positivamente as boas atitudes e recorrer ao castigo somente quando outros métodos, como conversas, já falharam mais de uma vez.
- Saúde. Bons pais propiciam um estilo de vida saudável e estimulam bons hábitos como exercícios regulares, higiene e alimentação adequada para seus filhos.
- Espiritualidade. Apoiar o desenvolvimento da religiosidade e a preservação da natureza, o respeito ao outro e às diferenças, evitando a disseminação de preconceitos e intolerância.
- Segurança. É fundamental o empenho constante para proteger os filhos de situações de risco e manter-se vigilante quanto a suas atividades e amizades.
Psicóloga Larissa Dirschnabel – CRP: 12/06560
Serviço de Psicologia Educacional
Fevereiro 2011.
* Referência bibliográfica: Revista Mente e Cérebro. Scientific American. Ediouro. SP: Duetto Editorial Ltda. Ano XVIII. Dezembro 2010.
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PALAVRAS SIM, PALMADAS NÃO
Como conter seu filho que insiste em provocar os outros, pegar o que não é seu, ir aonde não pode? Como fazê-lo enxergar onde estão os limites do comportamento aceitável? Segurar, beliscar, puxar a orelha, empurrar, arrastar, jogar para longe e chutar são punições que funcionam: o cerébro associa demonstrações violentas de força que causam dor, humilhação e outras formas de sensações negativas ao contexto em que elas se dão. Feita essa ligação, a possibilidade de reincidir na besteira se torna menor. Como o uso da força parece funcionar, da próxima vez recorre-se a ela de novo. E de novo. E de novo. É assim que as macacas “educam” seus filhos.
Elas não têm alternativa: não sabem falar para comunicar o que pensam, fazer recomendações ou advertir os filhos antes que seja tarde demais. Não você, certo? Infelizmente, errado. A maioria de nós, animais humanos brasileiros, ainda recorre à violência quando os filhos não se comportam – um recurso desnecessário que passa adiante o hábito de bater, contribuindo para que um dia também nossos netos apanhem, em um círculo vicioso. Violência, não importa em qual forma, gera violência, como a neurociência já constatou diversas vezes. Funciona igualmente com camundongos e humanos: o cérebro que recebe maus-tratos na infância sofre várias mudanças em estruturas como o sistema de recompensa, a amígdala e o hipocampo, que regulam nossas emoções e comportamentos. O resultado? Crianças que recebem restrição corporal, palmadas, beliscões, sacudidas ou abuso verbal (que muitos podem até considerar brandos) se tornam adultos com propensão a transtornos de ansiedade, depressão, alcoolismo e outras formas de dependência química, comportamento antissocial – e agressividade. Crianças punidas com violência se tornam adultos que acreditam ser normal punir com violência.
O agravante é que, quando somos crianças, o cérebro não consegue vincular nada de negativo à imagem da figura materna; a amígdala simplesmente não faz a associação. Do ponto de vista da neurociência, a criança que apanha da mãe tem medo da punição, mas não acha que a mãe é má ou está errada; transforma-se em um adulto que crê que apanhou “porque mereceu”, e que dar palmadas é certo; segue o exemplo, bate em seus próprios filhos, e ainda exige que o estado lhe assegure o “direito” de bater em suas crianças – “necessário”, porque esse adulto acredita que conversar, dialogar é trabalhoso demais.
Uma pena que tantas pessoas abram mão de usar, em benefício próprio e de seus filhos, uma das grandes dádivas que a natureza lhes deu: a fala. Éguas e macacas não têm alternativa além da força bruta para repreender o filho que está fazendo o que não deve, mas humanas e humanos têm o poder de usar as palavras (dom do mesmo córtex pré-frontal que nos torna flexíveis e capazes de controlar nossos impulsos) para resolver conflitos, propor ações positivas e proteger os filhos de maneira pacífica. O melhor uso do contato físíco é o carinho, tão ao alcance de todos quanto uma palmada. Também funciona tanto com camundomgos quanto com crianças, a neurociência comprova. E muda o cérebro para o resto da vida e se autopropaga. No caso dos humanos, se vier acompanhado de apoio moral, bons exemplos, compreensão e conversa, melhor ainda.
Experimente exercitar o córtex pré-frontal e, no lugar da próxima palmada, desafie-se a encontrar maneiras de educar com palavras e carinho. É uma forma bastante eficaz de cuidar bem de si mesmo e daqueles a quem amamos: podemos ser duros quando necessário – mas sem jamais perder a ternura!
Psicóloga Larissa Dirschnabel – CRP: 12/06560
Serviço de Psicologia Educacional
Fevereiro 2011.
* Referência bibliográfica: HERCULANO-HOUZEL, Suzana. Revista Mente e Cérebro. Scientific American. Ediouro. SP: Duetto Editorial Ltda. Ano XVIII. Outubro 2010.
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